Portinari

No campo da museologia brasileira, o Museu Nacional de Belas Artes (mnba) exerce papel único. É o estuário das vertentes que assinalam o desenvolvimento das artes plásticas no país. Acolhe obras que evocam a contribuição dos pintores nassovianos, no Nordeste seiscentista, e referem a chegada de novos autores europeus, quando da transferência da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro, na aurora da Independência. Os artistas que desde então mais se sobressaíram na produção nacional acham-se presentes nas coleções que compõem um thesaurus singular. Do Império à República, da chamada Missão Francesa à contemporaneidade, a arte do Brasil tem nele um de seus mais ricos repertórios, ao lado de coleções significativas procedentes do exterior, especialmente da Europa e da África.

Entre os criadores brasileiros, impõe-se a presença de Candido Portinari. O seu protagonismo na produção do século xx e o reconhecimento alcançado no plano internacional, como provam os painéis Guerra e Paz, no edifício-sede da Organização das Nações Unidas (onu), em Nova York, credenciariam Portinari a ter espaço privilegiado no mnba. Mas ele ocupa, na verdade, a mais importante posição individual no acervo da instituição, que se engrandece pelo fato de possuir o maior conjunto musealizado de trabalhos do mestre de Brodósqui. Destacam-se A Primeira Missa no Brasil e as pinturas provenientes da Capela Mayrink, recentemente incorporadas, ao lado da doação promovida pela Finep – Inovação e Pesquisa.

É providencial, assim, que este livro venha apresentar a coleção portinariana do mnba, como meio de divulgação do programa museológico e de uma obra tão intensamente identificada com a vida brasileira. Graças ao apoio prestigioso do Consulado Geral da Itália no Rio de Janeiro e do Instituto Italiano de Cultura, bem como do Projeto Portinari e da Finep, a publicação se viabilizou, sob a chancela do Ministério da Cultura e do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).

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O livro Portinari – Coleção Museu Nacional de Belas Artes apresenta a constituição do atual acervo de obras de autoria de Cândido Portinari pertencente ao Museu Nacional de Belas Artes/Ibram/ MinC. Idealizado a partir de uma doação de obras feita ao MNBA pela Finep – Inovação e Pesquisa em 2013, reúne não apenas uma seleção dessas obras, mas também outras que jápertenciam à Instituição, como Café, A Primeira Missa no Brasil e Retrato de Yedda Ovalle Schmidt. Entre as obras doadas pela Finep, que pertenciam ao acervo deixado pelo pintor para seu ϐilho João Candido, há diversos retratos a óleo e sobre papel, preciosos estudos e esboços de obras renomadas, como os painéis para o Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, e pouco mais de 40 matrizes de gravuras, muitas das quais produzidas para serem ilustrações de livros, como os da Coleção Cem Biblióϐilos, idealizada por Raymundo Castro Maya. O livro, com 256 páginas, reproduz cerca de 140 imagens e reúne seis textos históricos e crı́ticos, de autoria de João Candido Portinari, Ferreira Gullar, Anna Letycia Quadros, Pedro Martins Caldas Xexéo, Amandio Miguel dos Santos e Daniela Matera Lins Gomes, e Israel Pedrosa, além de diversas fotograϐias de e sobre o artista, uma cronologia organizada por Cristal Proença, a relação das obras que compõem a Coleção Portinari do MNBA/ Ibram/ MinC e a tradução dos textos para o inglês. Com coordenação editorial da Artepadilla e do Museu Nacional de Belas Artes, e projeto gráϐico da Contra Capa, a edição foi viabilizada pelo patrocı́nio da FINEP – Inovação e Pesquisa e da Indústria de Produtos Alimentı́cios Piraquê, por meio da Lei de Incentivo à Cultura/ Lei Rouanet/ Ministério da Cultura, e do apoio institucional do Consulado da Itália no Rio de Janeiro, da Embaixada da Itália no Brasil e do Instituto Italiano de Cultura.